
É verdade que existe uma bactéria causadora da acne?
Sim. Mas nem toda espinha é, necessariamente, resultado
apenas de uma infecção. A acne é causada pela associação de fatores genéticos,
pela variação hormonal e pela presença das bactérias Propionibacterium acnes e
Propionibacterium ovale. O processo infeccioso, portanto, é somente um dos
fatores que podem desencadear o problema, e em um grau mais grave.
2. Peles brancas
são mais vulneráveis?
Bobagem. As espinhas estão diretamente associadas ao
funcionamento das glândulas sebáceas, e não à tonalidade da pele. Sabe-se,
entretanto, que as pessoas mais morenas têm maior propensão às marcas e
cicatrizes. Motivo extra para esquecer, definitivamente, aquela mania
desesperada de espremer os carocinhos.
3. Estresse causa
espinhas?
Mais ou menos. A história é a seguinte: como a variação hormonal
está associada ao aparecimento das espinhas, qualquer abalo emocional mais
forte e duradouro pode interferir na saúde da sua pele. Isso porque a ansiedade
e o estresse aumentam a liberação dos hormônios masculinos, responsáveis pela
atividade das glândulas sebáceas.
4. Tomar pílula
limpa a pele?
Não só a pílula,
mas outros anticoncepcionais de base hormonal podem ser recursos eficazes no combate às espinhas. Isso vale para os
medicamentos que contêm etinilestradiol na fórmula. Trata-se de um composto que
diminui, na circulação sangüínea, a quantidade da enzima que realiza a
transformação da testosterona livre em dihitestosterona. Quando entra em contato
com a pele, essa substância torna-se responsável pelo surgimento da acne, de
pêlos em excesso e da secreção de material seboso.
5. Mudar a
alimentação acelera o tratamento?
Sim. Mesmo que, até hoje, nenhum estudo tenha comprovado a
relação direta entre algum alimento e o aparecimento de espinhas, sabe-se que
um cardápio balanceado é fundamental para manter a pele hidratada e bem
nutrida. Então, é melhor evitar o excesso de gorduras (isso inclui o chocolate,
branco principalmente). Mas não precisa cortar de vez a guloseima, basta dar
uma maneirada.
6. Existe alguma dieta anti-espinhas?
Se você estiver pensando num cardápio completo,
com café-da-manhã, almoço e jantar, não existe. Mas os especialistas reconhecem
que alguns alimentos, se consumidos com maior regularidade, livram sua pele do
problema. Hortaliças, frutas e legumes são ricos em vitaminas e fibras, que
ajudam o intestino a funcionar melhor (assim, as toxinas não se acumulam e
param de explodir na sua pele). Só não esqueça: a ação das fibras depende da
ingestão de água, no mínimo oito copos por dia. As proteínas também são
fundamentais, pois têm como funções principais a construção e regeneração dos
tecidos. Carnes, leite e derivados, feijão e soja são boas fontes. Ah, e na
hora de pôr na panela, cuidado com a quantidade de gordura.
7. Espinha é tudo
igual?
Não. Atualmente, os médicos trabalham com quatro tipos de
diagnóstico: Grau I: a pele fica cheia de cravos. Eles surgem porque uma
espécie de rolha (formada por células mortas) tampa os poros e represa o
material gorduroso. Grau II: nem sempre a rolha de células mortas veda
totalmente os poros. Quando o sebo vasa, ocorre uma reação inflamatória e
aparecem pontos avermelhados. Grau III: neste caso, o processo inflamatório tem
sua ação intensificada pela ação de bactérias naturalmente presentes na pele.
Surgem, então, as pústulas (pontos amarelados). Grau IV: perfil mais grave do
problema, combina cravos, pontos vermelhos e amarelados.
8. As mulheres são
mais atingidas pelo problema do que os homens?
Puro mito. È muito provável que essa percepção tenha surgido
porque elas, mais vaidosas, procuram ajuda com maior freqüência. Mas é
exatamente um hormônio masculino, a testosterona, que provoca a hiperfunção das
glândulas sebáceas mais sensíveis nos homens.
9. Qual a relação
entre os hormônios e a acne?
As glândulas
sebáceas, que controlam a oleosidade
da pele, têm o funcionamento diretamente associado à testosterona, um hormônio
masculino que também atua no metabolismo das mulheres. Quando há redução dos
hormônios femininos e a testosterona passa a ter uma ação maior, nota-se uma
maior atividade das glândulas sebáceas.
10. Os remédios
para secar espinhas têm alguma contra-indicação?
Depende. Mesmo que sejam vendidas sem prescrição médica, essas
fórmulas contêm substâncias que podem irritar a pele, piorar as espinhas ou até
formar cicatrizes. Na melhor das hipóteses, o gel ou a pomada para secar
espinhas não tem efeito nenhum, ou seja, não piora, nem melhora a acne. Então,
apara evitar a perda de tempo, de dinheiro e a formação de marcas, procure um
dermatologista antes de aplicar qualquer produto na sua pele.
11. E o Roacutan
resolve mesmo?
Tecnicamente chamado de isotretinoína, esse
medicamento ainda é uma das opções mais
confiáveis para os casos graves de acne. Isso porque ele promove a atrofia
das glândulas sebáceas. Sim, você entendeu certo: sua pele resseca, e muito,
com o tratamento. Mas trata-se de uma fórmula bastante forte e, por isso, só
pode ser ingerida com orientação médica. Antes de prescrever, os especialistas
exigem a realização de uma série de exames, como hemograma, função do fígado,
triglicérides e colesterol, todos repetidos a cada dois meses. O tratamento com
isotretinoína dura, em média, um semestre. Mas esse período varia de acordo com
a dose diária do remédio. Efeitos colaterais como alterações de humor, no sono,
na libido e até depressão são raros, mas podem acontecer.
12. Depois do fim
do tratamento, as espinhas podem voltar?
O remédio é forte e, em muitos casos, resolve o
problema definitivamente. Mas há pacientes que, depois de dois anos sem
tomá-lo, voltam a ter espinhas. Felizmente, o problema aparece em menor
quantidade e num grau mais simples. Recursos mais suaves podem, então, ser
empregados para solução.
13. O laser
funciona contra a acne?
Jatos de luz pulsada ressecam as glândulas
sebáceas, impedindo a formação da acne. Normalmente, esse tipo de tratamento é
recomendado para pacientes que apresentaram alguma restrição à isotretinoína ou
para mulheres que desejam ser mães em breve, porque o medicamento tem
componentes que prejudicam a formação do feto. Vale lembrar que, mesmo depois
de interromper o consumo do remédio, é preciso esperar seis meses para
engravidar.